:: PSICOPATAS DE PLANTÃO

Psicopatas são predadores sociais charmosos, manipuladores, que brutalmente abrem seu caminho através da vida, deixando atrás de si uma extensa trilha de corações partidos, esperanças destruídas e carteiras vazias”. É com esta definição que Robert D. Hare, professor de psicologia da University of British Columbia e mundialmente reconhecido como um dos maiores especialistas em psicopatia inicia seu livro “Without Conscience”, ou seja, “Sem Consciência”.

Quantos entre nós se encaixariam neste perfil? Eles parecem funcionar de forma bastante competente como advogados, médicos, mercenários, policiais, políticos, homens de negócios, artistas. Estão em toda parte, agindo com seu charme, loquacidade, superestimando a si mesmos, subestimando todos os “mortais”. Não sentem culpa ou remorso, sofrem de insensibilidade afetiva, não conseguem se colocar no lugar de outros e não aceitam responsabilidade sobre as suas ações, afinal, sempre há a quem culpar. Seu estilo de vida é parasitário, não tem objetivos claros e realísticos a longo prazo, se saem bem sob pressão, as chances de serem pegos são mínimas e se o são, as penas são leves. São os hoje chamados Psicopatas Corporativos, ou ainda Psicopatas de Colarinho Branco.

Aparentemente confiáveis, têm talento empresarial natural e usam sua educação impecável e conexões sociais para enriquecer seus bolsos sem usar de violência física. Suas atitudes chegam a prejudicar família, parentes e amigos, mas nada disso os detém. Para eles, as regras existem para serem quebradas de maneira inteligente e imperceptível aos menos avisados. Quando flagrados, sua indignação é tanta e sua convicção tão explícita que os que estão à sua volta chegam a apoiá-lo e duvidar das certezas anteriores de sua responsabilidade criminal, mesmo diante de provas irrefutáveis.

A sociedade, vítima deste tipo de psicopata que se prolifera entre nós como uma intra-espécie, segue correndo atrás do prejuízo, com o coração partido todos os dias ao assistir o noticiário, onde elegantemente desfilam estes “monstros confiáveis”, causando danos irreparáveis ao nosso país tão frágil.

Operações Navalha, Sanguessuga, Hurricane, Branca de Neve, Sintonia, Dominó, Dilúvio, Mensalão, Correios, Bingos entre tantas, prendam nossos psicopatas de plantão! Mas cuidado, muito cuidado com estas mentes criminosas. Elio Gaspari (Folha de S.Paulo de 21 de abril de 2007), referindo-se à tese de Laura Frade, sublinhou o seguinte: "Em quatro anos, foram apresentadas 646 propostas relacionadas com o crime. Delas, 626 destinavam-se a agravar penas, regimes e restrições. Só duas relacionavam-se com as delinqüências da turma do colarinho branco. Esse mesmo Congresso atravessou seis CPIs e absolveu 12 dos 19 parlamentares incriminados.”

Publicado na Associação Paulista de Imprensa, em junho de 2007.