:: PERFIL CRIMINAL E INVESTIGAÇÃO

A literatura saiu na frente da ciência, quando Edgar Allan Poe utilizou a psicologia para capturar criminosos, em seu livro “Os assassinatos da Rua Morgue”, em 1841.

A ciência daria seu primeiro passo apenas em 1876, quando César Lombroso, em seu livro “O Homem Delinqüente” comparou criminosos apontando similaridades para explicar a origem da violência, separando-os biologicamente em três tipos principais de delinqüentes.

Hoje em dia, depois de numerosos estudos desenvolvidos nesta área, existe um elevado número de agências americanas com suas próprias unidades especializadas em perfis criminais, além de seu uso em países como Austrália, Canadá, Inglaterra, Holanda e Brasil.

As aplicações de um perfil criminal elaborado a partir de certo crime são inúmeras. Através dele, podemos estabelecer se estamos lidando com um criminoso serial, eliminar suspeitos, elaborar técnicas investigativas com base no tipo de ofensor procurado, estabelecer comunicação com o agressor através dos meios de comunicação, preparar interrogatórios, estabelecer busca de provas e vincular crimes aparentemente únicos, além da diminuição de custos que se daria pela redução do número de suspeitos e do tempo de investigação.

Mas temos de levar em conta que o perfil criminal foi muito glorificado pela mídia, indústria do cinema e literária. Este instrumento forense, sozinho, não resolve crime algum. Quando bem utilizado como arma técnica pela polícia e justiça, aí sim, podemos colher resultados espantosos. O perfil vai esclarecer para a polícia, com informações específicas, o tipo de indivíduo que cometeu certo delito. Não serve para todos os tipos de crime, nem para todos os tipos de homicídio, e sim naqueles onde um criminoso desconhecido deu indicações de psicopatologia, através de ferimentos na vítima e características do local da ação.

Os casos que trazem maiores resultados na construção do perfil são os assassinatos em série, os crimes sexuais, eviscerações, casos com retalhações e incisões post mortem, incêndios sem motivação, crimes rituais e envolvendo ocultismo, abuso sexual de crianças envolvendo pedofilia, assalto a bancos e terrorismo. Neles, o criminoso deixa parte de si mesmo; atitudes que refletem características de sua personalidade. Um profiler bem treinado consegue olhar “além” das evidências físicas, e será sua responsabilidade “ler nas entrelinhas” do crime perpetuado, e com sua análise, afunilar as investigações policiais, sugerir estratégias de trabalho investigativo e interrogatório, enfim, quem e onde procurar.

Quanto maior a integração entre profiler, perícia e polícia, e quanto mais eficaz tiver sido o trabalho da perícia, maiores as chances de estabelecer o perfil do(s) criminoso(s) e obter uma investigação eficiente. A primeira dificuldade é separar o modus operandi da assinatura do crime. Fazer o necessário para dominar e assassinar uma vítima faz parte do modus operandi do criminoso, das ações necessárias para cumprir o seu objetivo, como golpear, amarrar ou fugir. Atitudes supérfluas para a execução do delito, aquelas não necessárias praticamente e sim psicologicamente, fazem parte da assinatura do criminoso, daquilo que era importante apenas para o seu regozijo, sua necessidade emocional. Aqui cabem as torturas, os ferimentos secundários, as mutilações pós-morte.

A elaboração de perfis criminais é uma técnica investigativa que infere aspectos psicossociais do criminoso com base em uma análise psicológica, criminalística e forense de seus crimes, orientando assim com eficiência a investigação ao diminuir o número de suspeitos, estabelecendo uma estratégia de ação, planejando um método de interrogatório mediante um suspeito e capturando o perpetrador do crime. Além disso, prove a promotoria com um insight da motivação do crime, aumentando as chances de condenação.